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Novidades

31.05.2010

Cachaça busca novos mercados

O setor brasileiro de cachaça artesanal prepara uma campanha nacional de divulgação do produto, no mercado interno, nos próximos quatro anos, já de olho na Copa do Mundo de 2014, que deverá atrair ao Brasil cerca de 500 mil turistas durante um mês de evento. Para alavancar a ação, está sendo discutida uma parceria entre produtores da bebida e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

A ideia, que deverá ser amadurecida durante a 13ª edição da Expocachaça – o evento prossegue até a próxima terça-feira, no Expominas, em Belo Horizonte -, é inicialmente dar mais visibilidade à cachaça internamente para, depois, divulgar o produto aos estrangeiros que acompanharão o mundial de futebol no país, o que poderia ajudar a incrementar as exportações da bebida, ainda tímidas. Da produção de cachaça artesanal e industrial brasileira, estimada em 1,4 bilhão de litros, apenas 1% é vendida hoje para fora do país.

A discussão sobre o incremento das exportações da cachaça artesanal é antiga, mas ainda não saiu do papel. De acordo com o diretor de marketing da Expocachaça, José Lúcio Mendes, que está a frente das discussões com a Abrasel, ainda não existe no país um projeto concreto para estimular as vendas externas, mas apenas ações pontuais, como por exemplo a criação de roteiros de visitação, inclusive de turistas, até algumas destilarias.

Segundo Mendes, a proposta, já em início de discussão com a Abrasel, é fazer com que a rede de restaurantes associada à entidade – cerca de 5 mil – coloque em seus cardápios marcas de cachaças certificadas, assim como já acontece com o vinho. “Até a Copa do Mundo no Brasil, teremos tempo suficiente para treinar garçons a falarem sobre cachaça e investir nesse trabalho”, opina o diretor de marketing da Expocachaça.

O turista, segundo ele, precisa ser recebido, em bares e restaurantes, com drinks à base da bebida. A cachaça deve ser servida gratuitamente, como forma de dar “boas-vindas” aos estrangeiros, para que ele conheça e se interesse pela bebida. “Quem gostar poderá se transformar em multiplicador da bebida em seu país. Esse é o ponto de partida para abrir o mercado internacional”, comenta.

Conforme o presidente executivo da Abrasel nacional, Paulo Solmucci Júnior, o Brasil Sabor, festival de gastronomia realizado pela entidade há cinco anos e que, em 2010, foi realizado simultaneamente em 312 municípios, ajudará a divulgar marcas brasileiras de cachaça.

A marca de cachaça Brasil Sabor, produzida de forma artesanal desde o início de 2010 pela Cooperativa de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas Gerais, é uma das apostas do setor de cachaça brasileiro para ajudar a difundir ainda mais a bebida no país e contribuir para que o produto aumente sua presença no mercado internacional. “Nós licenciamos essa marca, genuinamente brasileira. A marca será trabalhada em nível nacional e espero que ela seja um bom canal de divulgação”, salienta Solmucci.

Diferentemente da cachaça industrial, de destilação contínua, o produto artesanal ou de alambique passa por três fases. Na primeira, chamada “cabeça”, o teor alcoólico é de 60 a 70 graus G.L. A segunda etapa, denominada “coração”, é a bebida comercializada. O produto é rico em aroma e sabor e a graduação varia entre 38 e 48 G. L. Já a terceira é chamada “rabo” ou “água fraca”, produto indesejável ao consumo humana.
Germana será vendida na África do Sul

A exportação de cachaça artesanal não é novidade para o produtor da Cachaça Prazer de Minas, Euler Chaves, de Esmeraldas, na Grande BH. Para aumentar o volume de produção, dos atuais 50 mil litros/ano para 70 mil litros/ano, ele ampliou recentemente de 12 para 18 hectares a área plantada de cana-de-açúcar, projeto que demandou investimentos de R$ 100 mil.

Do volume produzido, 70% se destina ao mercado interno e os demais 30% às exportações. Inicialmente, as vendas externas, iniciadas há cerca de quatro anos, eram destinadas aos mercados espanhol e português. Ao todo, anualmente, seguiram entre cinco e oito mil litros de cachaça.

Na semana que passou, ele embarcou 10 mil litros da bebida, pela primeira vez, para os Estados Unidos. Um novo contrato, para 2010, também com os norte-americanos, já está acertado.

Apesar de o valor da garrafa pago pelos norte-americanos ser menor do que no mercado interno, o negócio, segundo ele, é vantajoso. “No Brasil, recebo, líquido, R$ 13,50 por garrafa, contra R$ 10 do distribuidor dos Estados Unidos. Só que essa pessoa está divulgando meu produto fora do país e, em médio prazo, posso aumentar consideravelmente as vendas externas. Além disso, o pagamento é feito de uma vez só, o que me permite recompor o caixa rapidamente”, salienta.

A Cachaça Germana, do grupo Uniagro, exportou no final de 2009 cerca de 900 caixas – 11 mil garrafas – para a África do Sul, já pensando na Copa do Mundo. Até mesmo o hotel em que a Seleção Brasileira está hospedada, o Fairway, Recentemente, assinou contrato com os Estados Unidos, que importará no início de 2011, aproximadamente 50 mil garrafas da Germana Soul. Ele considera “importantíssima” a ideia de levar adiante um projeto nacional de divulgação da cachaça artesanal. “O momento é bom para isso”, opina.

Para o presidente da Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq), Alexandre Wagner da Silva, antes de pensar em exportar é preciso ter volume suficiente para atender rigorosamente os contratos. A formação de cooperativas de produtores, de acordo com ele, com a padronização de um blend, é o ideal para aumentar o volume, com qualidade. “Já existem algumas cooperativas instaladas em Minas Gerais, como a de Salinas e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, o que é o começo”, observa.
Minas lidera a produção nacional

A 13ª Expocachaça, iniciada na última sexta-feira (28) e que prossegue até a próxima terça-feira (1º), deverá receber de 90 mil a 100 mil pessoas e movimentar negócios da ordem de R$ 12 milhões. Foram instalados 120 estandes, responsáveis por cerca de 700 marcas. Minas Gerias lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com 260 milhões de litros/ano, volume que equivale a 60% da produção nacional.

Além do espaço para cachaças, a edição deste ano da Expocachaça oferece, novamente, o Espaço Bier Show, com uma variedade de marcas de cervejas importadas e brasileiras.

De acordo com levantamento do Centro Brasileiro de Referência em Cachaça, o Brasil, que tem capacidade instalada de produção de cachaça – artesanal e industrial – de aproximadamente 1,4 bilhão de litros, possui cerca de 40 mil produtores, responsáveis por 4 mil marcas.

As microempresas, segundo os organizadores da Expocachaça, representam 99% desse universo. Entre os estados que mais se destacam na produção da cachaça estão Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Ceará e São Paulo.

Atualmente, ocupam as gôndolas de supermercados, hipermercados e delikatessens cachaças de preços que variam entre R$ 3 e R$ 250. Estima-se que existam cerca de 5 mil marcas registradas, em disputa por espaço no mercado. Os principais estados consumidores são Minas Gerais, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo.

Apesar de ser produto brasileiro, a bebida, ao entrar em outros países, recebe o nome de rum, pois a nomenclatura cachaça ainda não é aceita pela maioria dos países.

Fonte: Abrasel